quinta-feira, 6 de abril de 2017

O meia Lucas Lima é um dos mais valorizados jogadores do elenco do Santos. Mesmo assim, é possível que ele deixe a Vila Belmiro no fim do ano, quando termina seu contrato, sem render um único centavo ao cofre alvinegro. Pior: o camisa 10 pode gerar uma dívida de cerca de R$ 8 milhões a um clube que sofre com problemas financeiros sistematicamente.
O contrato entre o Santos e a Doyen, que detém 80% dos direitos econômicos do jogador, prevê uma série de garantias ao fundo de investimentos, que não só recupera o valor original da compra (R$ 5,5 milhões), como lucra com juros compostos de 10% ao ano.
Os R$ 8 milhões são uma estimativa desta dívida a partir de 15 de novembro de 2017, o terceiro aniversário do acordo assinado pelo ex-presidente Odílio Rodrigues. A Doyen, porém, já pode executar essa cobrança a qualquer momento.
Uma das cláusulas impõe ao Santos a obrigação de comprar os direitos da Doyen, caso seja a vontade do fundo, se Lucas Lima não tiver sido vendido até 31 de dezembro de 2016. A empresa, porém, ainda não exerceu esse direito.
O acordo que envolve Lucas Lima faz parte da disputa jurídica que se tornou a relação entre o Santos e a Doyen. A empresa acionou o clube para fazer valer os contratos milionários assinados por Odílio e considerados inválidos pelo atual mandatário alvinegro, Modesto Roma Júnior. O maior deles é o do atacanteLeandro Damião, uma cobrança de 18 milhões de euros.
Há disputas também pelos pagamentos de direitos dos atacantes Geuvânio e Gabriel, vendidos ao Tianjin Quanjian, da China, e à Inter de Milão, respectivamente. O dinheiro dessas negociações está bloqueado pela Justiça.


Socorro financeiro


Lucas Lima foi contratado pelo Santos no final de 2013. O clube se comprometeu a comprar 40% dos direitos econômicos do Internacional por R$ 3 milhões e 40% dos direitos que pertenciam ao empresário Edson Khodor por R$ 2,5 milhões. Os gaúchos e o agente permaneceram com fatias de 10% cada.
Em crise, o Santos não conseguiu pagar o Inter e pediu socorro à Doyen, que repassou os R$ 3 milhões ao clube do Sul. O pagamento a Khodor, previsto para ser quitado apenas em outubro de 2014, também atrasou. Mais uma vez sem caixa, o Santos solicitou que o fundo pagasse os R$ 2,5 milhões ao empresário.
Um mês depois, o Santos cedeu os 80% dos direitos econômicos de Lucas Lima à Doyen e ficou sem nada – só voltaria a ser dono de uma fatia do meia no começo de 2015 ao comprar os 10% que ainda estavam com o Internacional.
É nesse contrato que a Doyen se protege de qualquer prejuízo. Nele, inclui a Taxa de Participação Mínima do Fundo e Taxa de Opção de Venda, ambas definidas como os R$ 5,5 milhões investidos, acrescidos de juros compostos de 10% ao ano.
A primeira deve ser paga pelo clube caso o atleta se torne um free agent, ou seja, sem vínculo com o Santos, como, por exemplo, ao término do contrato. A segunda é o direito do fundo de obrigar o clube a comprar os direitos que lhe pertencem a partir de 31 de dezembro de 2016.
Mesmo a possibilidade de renovação de Lucas Lima com o Santos, algo considerado pouco provável por pessoas próximas ao atleta, pode fazer com a Doyen receba a Taxa de Participação Mínima. Nesse caso, cabe à empresa, mais uma vez, decidir ser quer o dinheiro ou a manutenção dos direitos econômicos.
Na Justiça, o Santos tenta invalidar os contratos assinados por Odílio. Alega que eles são, na verdade, empréstimo com juros abusivos. E que as garantias deixam isso claro: fosse uma partilha de direitos econômicos, todos perderiam ao fim do contrato – o que, no caso, acontece apenas ao Santos e a Edson Khodor. O clube também aponta que os acordos desrespeitam o estatuto do clube por terem sido firmados nos últimos três meses de gestão do ex-presidente.
A Doyen afirma que o estatuto veta apenas a transferência de direitos federativos de atletas, mas não os direitos econômicos. Além disso, diz que atos da administração de Modesto ratificam os acordos anteriores.
Um deles é um empréstimo de 600 mil euros, assinado por Modesto em janeiro de 2016, feito pela Doyen ao Santos para o pagamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) do atacante Leandro Damião, que, à época, foi à Justiça do Trabalho para rescindir contrato com o clube por atrasos salariais.
Esse empréstimo é vinculado ao contrato de Lucas Lima. Nele, o Santos abria mão da chamada taxa de vitrine, 20% do lucro da Doyen numa futura venda do meia, caso não devolvesse os 600 mil euros ao fundo até julho daquele ano, que foi o que aconteceu.

Agentes em conflito


O contrato de Lucas Lima com o Santos termina no dia 31 de dezembro de 2017. De acordo com as regras de transferência da Fifa, o jogador já poderá assinar um pré-contrato com qualquer equipe a partir de agosto. Em março, o meia declarou, em programa na internet, que ficará no clube em 2018 para manter as chances de disputar a Copa do Mundo da Rússia. A possibilidade de ampliação do vínculo é pequena, porém.
– Não há prazo, mas ele demonstrou interesse pelo Santos, pela Seleção – afirmou Edson Khodor.
– Mas aparecendo uma situação que ele confia e o deixa feliz... Futebol é uma profissão dinâmica. O próximo contrato é o contrato da vida dele. Temos que tomar cuidado para não prejudicar o atleta – completou o empresário, cauteloso.

Khodor é o representante de Lucas Lima, mas não é o único a discutir o futuro do atleta. Desde que o jogador se tornou cliente da N&N, empresa de consultoria de imagem do pai de Neymar, o agente Wagner Ribeiro também entrou no circuito. A relação é de atritos entre os empresários.
– Há quase dois anos ele deixou de falar com esse cara (Khodor). Eu e o pai do Neymar trabalhamos para que ele tenha um pré-contrato em julho – disse Ribeiro.
– Nem me fala esse nome (de Wagner Ribeiro). Ele não faz parte dos contratos, nunca fez. Ele pode até trazer proposta, representar um clube, mas não negocia pelo Lucas – respondeu Khodor.
Em dezembro de 2015, Santos e Khodor assinaram um termo em que se reconhecem como únicos representantes de Lucas Lima. Questionado sobre o andamento das negociações para a renovação com o atleta ou uma possível transferência, o presidente Modesto Roma Júnior foi econômico:

– (As conversas) Estão bem. Mas só há conversa entre Santos e Khodor.


A Justiça de São Paulo concedeu ao Corinthians uma liminar que permite o clube conseguir sua certidão positiva com efeitos de negativa com efeito de positiva. Dessa forma, o clube fica livre para conseguir renovar seu patrocínio com a Caixa.
A decisão é do fim da semana passada, junto à 2ª Vara de Fazenda Pública do Foro Central de São Paulo, por meio do juiz Marcelo Sergio.
"Apesar de a municipalidade ter emitido a certidão, assim agiu por conta da ordem judicial, razão pela qual entendo persistir o interesse processual a fim de consolidar a determinação e a validade do documento. O impetrante (Corinthians), a rigor, não tem interesse processual para postular o reconhecimento da isenção tributária, na medida em que tem recurso administrativo pendente de julgamento e não refere interesse de desistir dos mesmos. Não obstante, e em razão da existência de recursos pendentes de análise na esfera administrativa, não pode ser impeditivo da emissão da certidão positiva com efeitos de negativa com efeito de positiva", disse o magistrado, em sua decisão.
O Corinthians é um dos poucos clubes do futebol brasileiro que ainda não conseguiu renovar seu contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal.
Dessa forma, a agremiação informou à Justiça que "depende inexoravelmente de sua regularidade fiscal para exercício de suas atividades sociais, sendo que tal necessidade exacerba-se ainda mais em razão da indispensabilidade de apresentação de certidão de regularidade fiscal para recebimento do valor mensal atinente a seu notório e indispensável patrocínio pela Caixa Econômica Federal".
Em seguida, o clube paulista apontou que o patrocínio "já se encontra em atraso, remanescendo apenas pendente de entrega a certidão municipal".

Em 2017, a Caixa já renovou com Flamengo, Santos, Atlético-MG, Cruzeiro, América-MG, Atlético-PR, Sport, Chapecoense, Náutico, entre outros.
No ano passado, a estatal pagou R$ 30 milhões ao clube do Parque São Jorge. O vínculo vence na próxima semana, mas o diretor financeiro corintiano Emerson Piovesan garantiu àESPN que o acordo "está bem encaminhado".
Há duas semanas, o ESPN.com.br descobriu que o clube brigava com a prefeitura por conta da certidão, obrigatória para a assinatura do patrocínio estatal. Na ação, o clube alvinegro menciona que foi surpreendido ao ter a emissão de certidão positiva de débitos a qual apontava pendências de IPTU de 2014 e 2015.
O Corinthians afirma, no processo, que anteriormente havia emitido suas certidões de regularidade fiscal imobiliária sem problemas até 4 de julho de 2016, sem jamais ter visto tais cobranças de IPTU.
O clube menciona que é isento da cobrança do imposto por utilizar em sua sede social com finalidades desportivas, sociais, educacionais, recreativas, culturais, cívicas e assistenciais, o que deixa o clube nos requisitos legais.

Com a decisão judicial em mãos, o Corinthians fica com o caminho livre para renovar com a estatal.

quarta-feira, 29 de março de 2017

CUEVA PODE DESFALCAR TRICOLOR NA RETA FINAL DO PAULISTA , COPADA DO BRASIL E SUL-AMERICANA

O São Paulo não entrou em campo nesta terça-feira, mas ganhou um grande problema para sua sequência na temporada. Isso porque sua principal estrela, Christian Cueva, se lesionou durante a partida entre Peru e Uruguai, em Lima, pela 14ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo. O jogador ainda passará por exames, mas já há um receio pela ausência do camisa 10 nos compromissos decisivos que o Tricolor do Morumbi terá em abril.

O lance fatídico aconteceu aos 38 minutos do primeiro tempo ainda, quando Cueva saiu em disparada ao ataque e recebeu passe de Paolo Guerrero. Ao tentar dominar a bola, o peruano sentiu a coxa esquerda e precisou ser atendimento fora de campo. Depois de alguns minutos, Cueva ainda tentou seguir na partida, mas, sem condições, caiu no gramado para solicitar a substituição.
Ainda não há uma confirmação da gravidade da contusão, mas, aparentemente, Cueva teve um problema muscular, provavelmente um estiramento. Por isso, fica difícil imaginar que Rogério Ceni tenha seu principal articulador para as quartas de final do Campeonato Paulista, diante do Linense, e também para os confrontos de mata-mata frente ao Cruzeiro, pela Copa do Brasil, e contra o Defensa y Justicia, pela Copa Sul-Americana.
Vale lembrar que o local em que Cueva sentiu a lesão nesta terça vem incomodando o meia já há pelo menos um mês. O jogador foi poupado de alguns treinamentos e ficou de fora de alguns jogos do São Paulo justamente por alegar dores na coxa esquerda. Mas, até então, nada havia sido constatado nos frequentes exames feitos pelo departamento médico do clube paulista.
De qualquer forma, Rogério Ceni terá de quebrar a cabeça para encontrar uma solução para sua equipe, que viu seu avassalador setor ofensivo sofrer uma queda brusca de gols marcados nos últimos cinco jogos. Nesse período, o São Paulo perdeu para o Palmeiras por 3 a 0 e empatou quatro jogos vezes seguidas por 1 a 1. Sem Lucas Fernandes, machucado, o técnico são-paulino tem apenas o jovem Shaylon como meia de origem em seu elenco. Nas últimas partidas, Thiago Mendes, Cícero e Wellington Nem tentaram suprir a ausência em campo de uma forma improvisada.
“Quando o Cueva não joga, a tendência é cair um pouco o setor de criatividade. Nós jogamos sem meias. Jogamos com volantes que sabem jogar, mas não são camisas 10, meias de criação. Talvez por isso nossa média tenha caído um pouco”, lamentou Rogério Ceni, após o empate com o Corinthians, no clássico do último domingo, no Morumbi.